Title: Corografia Encarnada da Capitania de S. Paulo [Incarnate Chorography of the Captaincy of São Paulo]
Technique: Oil on cold porcelain, dry pastel and acrylic on used truck tarpaulin, steel rebar and butcher hooks
Dimensions: 210 × 157 × 15 cm [82.7 × 61.8 × 5.9 in]
Year: 2025
This work departs from a fragment of the “Chorographic Map of the Captaincy of São Paulo” (1792). Upon the surface of the map, areas of cold porcelain were sculpted and painted to emulate anatomical excerpts: skin, tendons, folds, veins, and arteries. These interventions occupy regions marked by the incursions of the bandeiras and established through tropeirismo, as well as zones of mountain ranges, hinterlands, and rugged terrain.
The tarpaulin used as the support traveled across the country for more than ten years, carrying residues of matter and time, suspended by butcher hooks on a steel rebar salvaged from a scrapyard. The central procedure of the work was the fusion of the cartographic diagram with anatomical overlay, from the perspective of a History made by the body—its mechanisms and its fluids.
In this “counter-cartographic” operation, the map ceases to represent merely a registered space and comes to expose a process: a living tissue, tense, exposed, and inscribed upon the foundations of a territory that bears the incisions and striations that the classical atlas has often failed to reveal.
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PT
Título: Corografia Encarnada da Capitania de S. Paulo
Técnica: Óleo sobre cerâmica fria, pastel seco e acrílica sobre lona de caminhão usada, vergalhão de ferro e ganchos de açougue
Dimensões: 210 x 157 x 15cm
Ano: 2025
Esta obra parte de um fragmento do “Mapa Corographico da Capitania de S. Paulo” de 1792. Sobre a superfície do mapa, áreas de cerâmica fria foram esculpidas e pintadas para emular excertos anatômicos: pele, tendões, dobras, veias e artérias. Essas intervenções ocupam áreas sangradas pelas bandeiras e assentadas pelo tropeirismo, além de zonas de serra, sertões e relevo acidentado.
A lona utilizada como suporte percorreu o País por mais de 10 anos, carregando resquícios de matéria e de tempo, pendurada por ganchos de açougue em um vergalhão garimpado em ferro velho. O procedimento central do trabalho foi a fusão entre o diagrama cartográfico e a sobreposição anatômica sob a perspectiva de uma História que foi feita pelo corpo, suas engrenagens e seus fluidos.
Nesta operação “contracartográfica” o mapa deixa de representar apenas um espaço registrado e passa a expor também um processo, um tecido vivo, tensionado, exposto e inscrito sobre as bases de um território que carrega as incisões e nervuras que a atlas clássico, muitas vezes, falhou em revelar.